A AMEAÇA
A principal ameaça terrorista que impende sobre a Europa provém do terrorismo internacional, com origem principalmente na Al Qaida (AQ) e grupos associados. Apesar de não se terem concretizado atentados na Europa desde 2005, foram desmanteladas inúmeras redes terroristas inspiradas na ideologia da AQ, o que ilustra a capacidade de resiliência e de rápida adaptação do seu modus operandi às medidas de segurança que resultaram do combate internacional contra o terrorismo.
Se bem que a AQ e os grupos associados tenham dispersado as suas actividades violentas para várias regiões do globo, nomeadamente Afeganistão/Paquistão, Médio Oriente/Iraque, Iémen, Magreb/Sahel e Corno de África, não abandonaram a intenção de realizar atentados na Europa. Em vários países europeus, incluindo Portugal, a acção dos grupos terroristas tem estado orientada para o recrutamento de indivíduos jovens para combater naqueles focos de conflito. O retorno aos países de origem destes indivíduos, que entretanto adquiriram conhecimentos e experiência no fabrico de explosivos e manejo de armamento, poderá contribuir para o aumento da capacidade das organizações terroristas de radicalização e recrutamento de novos elementos e, também, de planeamento e execução de atentados.
A recorrente utilização da Internet para a prossecução de actividades de apoio ao terrorismo, desde a difusão de propaganda jihadista, passando pelo recrutamento, treino e as comunicações, tem proporcionado vantagens aos grupos terroristas, ao contornar as medidas de segurança e atingir e cooptar um maior número de indivíduos nas sociedades ocidentais.
Aliás, a divulgação maciça na Internet de propaganda apologética do terrorismo tem elevado o risco de aparecimento de indivíduos, não afiliados a qualquer grupo ou organização, compelidos a agir de forma isolada e inopinada.
No espectro da ameaça do terrorismo internacional, não devem ser menosprezados os esforços que grupos terroristas têm feito para a aquisição de conhecimento sobre o fabrico e o manuseamento de armas de destruição maciça NQBR.
Há também que acompanhar a presença e actividades de outros grupos terroristas, entre os quais se inserem as organizações com motivações separatistas, caso da ETA e dos grupos dissidentes do IRA, que revestem riscos para a segurança interna na medida em que poderão utilizar o nosso país como um espaço complementar às suas áreas tradicionais de actuação para actividades de apoio logístico, local de recuo e passagem dos seus operacionais.
Um dos desafios que o terrorismo coloca às nossas sociedades é o de assegurar que a luta contra esta ameaça seja eficiente, tendo em vista a salvaguarda do direito inalienável à segurança dos cidadãos, sem contudo gerar uma deriva securitária que ponha em causa os valores da democracia e da liberdade. Neste contexto, o papel dos Serviços de Informações adquiriu relevância indiscutível, dado que conhecer o adversário, perceber as suas motivações, o modo como se organiza e actua é essencial para prever o que ele poderá vir a fazer, tendo em conta as vulnerabilidades inerentes às sociedades democráticas.