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Crime Organizado Transnacional

No âmbito das suas competências, o SIS actua no sentido de tornar Portugal num território hostil à presença e actuação de Organizações Criminosas Transnacionais

O Crime Organizado apresenta-se como uma realidade que atravessa fronteiras terrestres e marítimas, que se desloca pelo mundo fixando-se nas diferentes áreas geográficas do globo, mas de forma tão dissimulada que apenas é detectado quando se encontra a actuar numa região há um lapso de tempo considerável.

A principal ameaça que o Crime Organizado representa para a Segurança Interna é a sua incomensurável capacidade de infiltração nas estruturas políticas, jurisdicionais e administrativas do Estado. Esta infiltração, dependendo da profundidade alcançada, pode colocar em causa a integridade do Estado enquanto tal.

Acresce, que o Crime Organizado tem também a capacidade de minar o sistema económico-financeiro, quer público quer privado, de um país.

Enquanto ameaça à Segurança Interna do Estado, e pela sua capacidade de infiltrar e minar as estruturas estatais, o Crime Organizado deve ser combatido também, de modo activo e constante, num momento anterior à investigação criminal pelos Serviços de Informações, pois são estes que constituem a primeira linha na defesa da Segurança Interna do Estado.

Através do conhecimento profundo da génese do fenómeno, da análise das suas origens, evoluções e capacidades de mutação e adaptação, os Serviços de Informações definem tendências evolutivas e elaboram análises prospectivas que permitem delinear estratégias de combate ao Crime Organizado mais sólidas e eficazes.

É sabendo a origem - de onde veio - a evolução - que caminho percorreu - e as tendências evolutivas - para onde poderá ir - que se pode conhecer e combater qualquer fenómeno, no caso concreto o Crime Organizado.

Este é o papel dos Serviços de Informações - conhecer, analisar, avaliar e perspectivar para melhor combater.

A actividade do SIS está vocacionada para a produção de informações que permitam identificar as tendências da acção das estruturas criminosas, as suas diferentes tipologias, a sua real capacidade de adaptação a novas realidades e a novos mercados, os seus mecanismos de funcionamento interno, nomeadamente ao nível das hierarquias e da actuação comportamental dos seus membros, as suas áreas geográficas de actuação e as rotas que utilizam para desenvolver as suas actividades sejam elas o narcotráfico , o tráfico de armas, o auxílio à imigração ilegal ou o tráfico de seres humanos.

O trabalho desenvolvido pelo SIS, sendo realizado a montante e fora do âmbito da investigação criminal, tem o seu universo restrito à produção de informações.

É às Forças Policiais, e no âmbito da investigação criminal, a quem competem as acções de repressão às estruturas do Crime Organizado.

Criminalidade Económica e Financeira

A actividade preventiva do Serviço de Informações abrange, necessariamente, o acompanhamento dos modernos fenómenos de criminalidade organizada.

Os factores promotores desta nova dinâmica mundial - a liberdade de circulação de pessoas e bens, a celeridade dos fluxos de capital, a globalização do sistema financeiro, a desregulamentação de mercados, a complexidade dos veículos financeiros, o desenvolvimento tecnológico e a consequente imaterialidade das transacções - colocam novos desafios ao conhecer, analisar, avaliar e perspectivar das vulnerabilidades que estes factores representam, pois estas características do mercado facilitam a prática de actividades ilícitas, nomeadamente na legitimação de capitais de proveniência ilícita e na obtenção fraudulenta de vantagens económicas, financeiras e fiscais.

No que concerne ao combate à Criminalidade Económica e Financeira assumem particular relevância as situações que nomeiem o recurso ao espaço económico/financeiro português, por parte de estruturas de crime organizado, para operações de branqueamento de capitais, nas suas três fases - colocação, circulação e integração.

No âmbito das missões do SIS importa destrinçar as ameaças à Segurança Interna decorrentes das actividades de organizações criminosas transnacionais, neste sentido, elencam-se genericamente as matérias alvo de trabalho no âmbito do combate à criminalidade económica e financeira:

  • A dificuldade na obtenção de liquidez e, um menor rigor nos procedimentos para apurar da legitimidade das fontes de financiamento utilizadas, poderá ser percepcionado como uma oportunidade para organizações criminosas transnacionais, para a promoção de situações de branqueamento de capitais [+]
  • O Branqueamento de Capitais com recurso ao sector do imobiliário continua a representar uma potencial ameaça em território nacional, onde a vulnerabilidade associada à incorporação neste sector, de capitais de origem ilícita, apresenta um maior risco potencial. [+]
  • O crescente aproveitamento por parte de estruturas criminosas transnacionais de todas as possibilidades e lacunas oferecidas pelo actual sistema financeiro global, representa igualmente um obstáculo acrescido no combate ao fenómeno do branqueamento de capitais. [+]
  • Práticas de fraudes e burlas de grandes dimensões que, pelos montantes envolvidos, pelo risco potencial que representam e pelo possível envolvimento de estruturas do crime organizado transnacionais nas sua prática, sejam passíveis de consubstanciar um ataque deliberado e organizado às receitas do Estado, ou, por outro lado, de evidenciar um forte e amplo impacto social, constituindo-se assim como uma ameaça à Segurança Interna. [+]
  • A crescente utilização de novos e inovadores serviços de pagamento online consubstanciam igualmente um vasto leque de novas possibilidades na prossecução da prática de branqueamento e capitais. [+]