Actividades/CO/Organizações Transnacionais
| Imprimir Actualizar | Actualizar Actualizar| Voltar Anterior|

Como é que o SIS acompanha esta ameaça?
O SIS analisa as implicações da criminalidade transnacional que tem afectado Portugal nos últimos anos fornecendo ao Governo e às autoridades nacionais informações destinadas a apoiar a definição de estratégias de combate contra os reflexos deste fenómeno na Segurança Interna.
Neste domínio, a coberto das vagas de imigração têm entrado em território nacional grupos organizados que se envolvem sistematicamente na prática de crimes contra as pessoas e contra o património.

Documentos Falsos

Quais sãos os crimes associados a estas organizações?
Os crimes tipicamente associados a estas organizações são, para além dos homicídios, ofensas corporais graves, sequestros, lenocínio e extorsão, o tráfico de estupefacientes, o comércio ilegal de armas, a exploração da prostituição, a falsificação de documentos e a promoção da imigração ilegal.

Como é que se estruturam as organizações criminosas?
O elevado potencial criminógeno destes grupos resulta não só do perfil dos seus membros e da posse de armas de fogo, mas também da respectiva estrutura orgânica, a qual se apresenta bem definida:

-Núcleo de liderança, tem a seu cargo a definição das orientações estratégicas, a coordenação dos grupos operacionais e a captação dos imigrantes ilegais nos países de origem;

-Núcleo administrativo, integra os denominados “contabilistas, cuja tarefa principal consiste no registo dos valores cobrados aos imigrantes que trabalham na zona dominada;

-Núcleo de informações, composto por indivíduos que têm a seu cargo a recolha de dados de natureza pessoal e patrimonial dos imigrantes e das entidades patronais;

-Núcleos operacionais, compostos por células de cinco a dez elementos, incumbidos da realização de missões específicas superiormente determinadas. Dentre estes núcleos destaca-se o subgrupo dos “executantes” (cabendo-lhes a cobrança aos imigrantes nos locais de trabalho) e o subgrupo da “segurança” (composto por homens especialmente treinados e fortemente armados, que têm a seu cargo seja a intimidação e a execução de actos especialmente violentos sobre os imigrantes, seja a segurança dos elementos do núcleo dirigente e o controlo dos movimentos das forças de segurança.

Quais são as principais organizações criminosas transnacionais?

A Máfia Italiana
Dentre as organizações criminosas transnacionais, a Máfia destaca-se como sendo uma das mais complexas e misteriosas do mundo do crime. Dependendo do ângulo de análise, pode ser vista como um tipo de associação criminosa, uma realidade histórica, um código cultural e, até mesmo, como uma estrutura de poder que actua em paralelismo com o sistema vigente.
Assume uma série de denominações, de acordo com a região ou com o tipo de actividade que desenvolve. Assim, pode ser conhecida como Cosa Nostra (da Sicília), Camorra Napolitana, Drangheta Calabresa, Sacra Corona Unita de Apúlia e inúmeras outras.
Quase todos estes grupos se baseiam na Omerta (Lei do Silêncio) e estreitos vínculos entre os seus membros. Tais vínculos podem ser funcionais, pessoais e familiares, sempre num clima de imposição do medo.
A Máfia, apesar de manter muitas das suas tradições, tem demonstrado ser dinâmica e adaptável. Iniciou-se pela imposição da sua autoridade aos cidadãos, numa época de debilidade do Estado. Passou, rapidamente, da cultura rural à cultura urbana, do âmbito local ao nacional, adquirindo carácter transnacional.

A Máfia Russa
A queda da economia soviética e a corrupção propiciaram as condições necessárias para que a delinquência organizada prosperasse na região aproveitando a debilidade do Estado e a ausência de legislação específica contra estas organizações.
O final da Guerra-fria possibilitou que grupos da antiga União Soviética se dedicassem às actividades criminosas transnacionais estendendo as suas actividades a outros países.

As Tríades Chinesas
Talvez a forma mais apropriada de descrever as Tríades seria afirmar que constituem uma espécie de associação, onde os seus membros colaboram e prestam assistência recíproca, mesmo que não se conheçam pessoalmente.
As Tríades participam numa enorme gama de actividades criminosas como a extorsão, o tráfico de drogas, a prostituição, a imigração ilegal e o jogo.

A Yakusa japonesa
Também chamada boryokudan (os violentos), é a mais importante organização criminosa do Japão. Apesar de registar imensas lutas internas entre distintos ramos, tal circunstância não impede a sua operacionalidade e a sua acção junto das empresas privadas e na corrupção do sistema político.
Utiliza as Filipinas como base para a produção e contrabando de anfetaminas, principalmente com destino ao Havai e à Califórnia. Opera, ainda, com o jogo ilícito, com o contrabando de armas ligeiras, com fraudes, lavagem de dinheiro e tráfico sexual. Investem elevadas somas de dinheiro nos sectores do imobiliário e do turismo.

Os Cartéis Colombianos
Consolidam-se pela cultura empresarial e adoptam tais procedimentos na chamada “indústria da cocaína”. Desenvolveram uma indústria que funciona com os princípios racionais de gestão, universalmente adoptados, tais como a especialização e a divisão do trabalho.
Os membros mais destacados apresentam-se como empresários legítimos, realizando investimentos em empresas privadas.
Nas suas actividades, apresentam uma estrutura celular especializada, baseada em funções, empregando a logística e um sofisticado canal de informações.
Em vários aspectos, o Cartel actua como qualquer empresa multinacional desenvolvendo e iniciando processos de produção e distribuição.
Aperfeiçoou métodos de transporte de drogas, como a técnica da compactação, com vista a dificultar e ludibriar as medidas de repressão policial e de controlo aduaneiro.

As Organizações Nigerianas
Dedicam-se em grande escala ao tráfico de drogas, à extorsão, às fraudes com cartões de crédito sobre instituições bancárias (demonstram habilidade na obtenção de documentação e identidades falsas). Praticam, ainda, fraudes relacionadas com empréstimos de bolsas de estudo, serviços sociais, seguros e transferência electrónica de fundos.