Actividades/Terrorismo
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O terrorismo – em especial o de inspiração islamista - traduz-se, nos dias de hoje, numa ameaça latente à segurança individual dos cidadãos, à segurança pública, à segurança interna e à segurança nacional. Aos Estados exige-se, por isso, a adopção de medidas eficazes e adequadas de prevenção, de protecção, de neutralização dos agentes da ameaça e de resposta em caso de atentado que salvaguardem a segurança, entendida no sentido lato.  

LONDRES; Reino Unido - 07JUL2005.                             Estação do Metropolitano - Edgeware Road - após a explosão.                                                                        Autor: Lindsey PARNABY

O que é que torna o terrorismo islamista uma ameaça com contornos tão devastadores para as nossas sociedades, quando comparado com os terrorismos que a Europa enfrentou nas décadas de 70 e 80?

  • Estamos perante um adversário que recorre de forma sistemática ao uso da violência indiscriminada contra alvos civis.
  • É, por outro lado, um adversário diferente de todos aqueles com que nos defrontámos no passado. Trata-se de uma nebulosa de redes e de indivíduos que se organizam em estruturas fluidas e dinâmicas, em alguns casos de configuração transnacional, extremamente difíceis de detectar atempadamente.
  • O terrorismo islamista reveste-se de carácter mediático e virtual. Utilizando os meios de comunicação ao dispor das sociedades modernas, difunde à escala global a sua mensagem que visa, entre outros objectivos, assegurar a coesão e a continuidade das redes jihadistas, recrutar e treinar novos extremistas, conseguir novas fontes e formas de financiamento.
  • Paralelamente, este terrorismo gera sentimentos de insegurança difusos e generalizados, recorrendo a técnicas de gestão da palavra e da imagem e a aspectos do universo simbólico que muito se aproximam do conceito empresarial do franchising e da linguagem do marketing. É neste domínio que a Al Qaida e Ussama bin Ladin desempenham actualmente um papel primordial enquanto fonte inspiradora da actividade terrorista islamista.    

Que objectivos prosseguem as organizações terroristas islamistas?LONDRES; Reino Unido - 07JUL2005.                             Autocarro destruído por uma bomba em Woburn Place.         Autor: Peter MACDIARMID

  • Prosseguem objectivos de natureza política, designadamente a instauração de Estados Islâmicos, segundo a Sharia, em todo o mundo muçulmano. A montante da actividade terrorista dessas organizações, actua um núcleo de teólogos e líderes religiosos, conceituados nos meios radicais, que justificam e legitimam esses objectivos, com base numa interpretação abusiva e redutora de pressupostos religiosos islâmicos.
  • A “guerra santa” – recurso à violência, por todos os meios disponíveis, contra os inimigos – constituiu, para os extremistas, a única via para defender a integridade do mundo muçulmano, onde quer que ela esteja, de acordo com os seus parâmetros, a ser desvirtuada e humilhada. Assim, esta Jihad deve, segundo eles, fazer-se no Ocidente contra ocidentais e no mundo islâmico contra ocidentais e muçulmanos apóstatas, incluindo os regimes aliados do mundo ocidental.

MADRID, Espanha - 11MAR2004.                                    Estação ferroviária de Atocha, após a explosão de bombas. Autor: Emilio NARANJO

 Quais os destinatários preferenciais da mensagem do terrorismo islamista?

  • A mensagem do terrorismo islamista dirige-se de forma especial às camadas jovens da diáspora muçulmana, que vivenciam situações de exclusão, de injustiça ou de perda de identidade, e aos jovens do mundo muçulmano em geral, que não encontram nos seus países resposta aos seus anseios.

Que desafios é que a ameaça terrorista islamista coloca às nossas sociedades?

  • O grande desafio que este terrorismo coloca às nossas sociedades é o de assegurar que a luta contra esta ameaça seja eficiente, tendo em vista a salvaguarda do direito inalienável à segurança dos cidadãos, sem contudo gerar uma deriva securitária que ponha em causa os valores da democracia e da liberdade. Neste contexto, o papel dos Serviços de Informações adquiriu relevância indiscutível, dado que conhecer o adversário, perceber as suas motivações, o modo como se organiza e actua é tão essencial como prever o que ele poderá vir a fazer tendo em conta as vulnerabilidades inerentes às sociedades democráticas.