| História/Origens |
Séculos XII-XIX
Nos primórdios da nacionalidade, a produção de informações esteve ligada às áreas mais sensíveis da governação, designadamente aos processos de reconquista territorial e de unificação política do Reino. A reconquista foi apoiada, em diversas ocasiões, pela acção de emissários e informadores encobertos. A conquista de Santarém (1147), por exemplo, foi preparada num grande secretismo. D. Afonso Henriques enviou agentes de confiança para se inteirarem do estado das defesas muçulmanas e para o informarem sobre os locais mais vulneráveis a um ataque nocturno. Durante esse período, as ordens religiosas militares desempenharam um importante papel de vigilância e de recolha de informações. Mais tarde, D. João I iria servir-se de um verdadeiro serviço de informações, apoiado por um serviço de ligações dirigido por Martim Afonso de Melo, guerreiro da linhagem dos Fialhos, que prestou serviço nos quartéis-generais de Abrantes e de Estremoz.
A dado passo, D. João I chegou mesmo a enviar um emissário ao rei de Castela, que, sob o pretexto de parlamentar com o monarca, devia, nas palavras de Fernão Lopes, ir " guardando bem que gentes eram e como corrigidas e toda a sua ordenança ". O "espião" escolhido foi o escudeiro Gonçalo Annes Peixoto, que contactou as tropas inimigas em Pombal. Este amplo trabalho de informações culminou na vitória portuguesa em Aljubarrota (1385). Mais tarde, D. João I iria servir-se de um verdadeiro serviço de informações, apoiado por um serviço de ligações dirigido por Martim Afonso de Melo, guerreiro da linhagem dos Fialhos, que prestou serviço nos quartéis-generais de Abrantes e de Estremoz. Também a conquista de Ceuta foi precedida de uma intensa actividade de informações. Por um lado, enviaram-se agentes a Ceuta, para averiguarem as possibilidades de êxito da empresa. Assim, o rei mandou Álvaro Gonçalves Camelo, prior do Hospital, e o capitão Afonso Furtado ao reino da Sicília, com a missão de passarem para o norte de África. Por outro lado, desenvolveu-se um vasto trabalho de contra-informação e de encobrimento, dizendo-se, por exemplo, que Portugal se preparava para atacar a Holanda como represália por actos de pirataria ou que pretendia ajudar Henrique IV de Inglaterra contra Carlos VI de França, na região da Normandia. Os pilotos, os mestres e os marinheiros eram expressamente proibidos de servir nações estrangeiras, prevendo-se duras penas (degredo para a ilha de Santa Helena) para quem desrespeitasse aquela proibição. Além disso, todo o material relacionado com as actividades náuticas era reservado: cartas de marear, mapas- mundi , livros de marinharia, de astrologia, de viagens ou roteiros eram considerados património secreto do Estado. Na preparação da viagem à Índia, D. João II serviu-se de emissários encobertos, como Pêro da Covilhã , e realizou diversas viagens secretas na costa oriental de África. Alguns historiadores defenderam mesmo uma tese polémica, segundo a qual Cristovão Colombo teria sido um "agente secreto" ao serviço da Coroa portuguesa. Ao mesmo tempo, como refere Jaime Cortesão ( A política de sigilo nos Descobrimentos , Lisboa, 1960), procurou arquitectar-se uma política de "mar fechado" ( mare clausum ) através de diversas acções:
Em muitos casos, as lendas sobre monstros ou gigantes marinhos (como o Adamastor) serviram objectivos de contra-informação, visando afastar potenciais concorrentes dos caminhos abertos pelos portugueses.
A política de sigilo de D. João II culminou com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, em 2 de Junho de 1494 . Mais tarde, Luís de Camões iria mostrar, de forma admirável, qual o objectivo das informações: " Adivinhar perigos e evitá-los ". Assim: Tal há-de ser quem quer, co'o dom de Marte Os Lusíadas , Canto VIII Na segunda metade do século XVIII, a actividade de produção de informações foi dotada de uma estrutura própria. Em 1760, o marquês de Pombal criou a Intendência da Polícia da Corte e do Reino, com amplos poderes em matéria de segurança pública e de onde constava uma "rede de espias e informadores", responsável pela recolha de infor Em 1780, a rainha D. Maria I nomeou como Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino o dr. Diogo Inácio de Pina Manique , que se manteve em funções até 1805. Na primeira década de Oitocentos, sob o domínio político-militar inglês, a Intendência não deu sinais de vitalidade, tendo sido reforçado o papel da Guarda-Geral de Polícia (criada em 1801). Pouco tempo depois, em 8 de Novembro de 1833, foi abolida a Intendência-Geral da Polícia da Corte e do Reino. Cinco anos mais tarde, pelo Decreto de 20 de Janeiro de 1898, foi novamente reformada a Polícia, criando-se a Polícia Preventiva , encarregada de tomar conhecimento de todos os factos que pudessem ter influência na ordem e tranquilidade públicas e na administração e segurança do Estado, ainda que não constituíssem crime, dando conhecimento desses factos ao Governo, através do Governo Civil. A Polícia Preventiva foi chefiada pelo juiz Francisco Maria da Veiga e os republicanos sempre se lhe referiram como sendo uma "polícia secreta", encarregada de actividades de espionagem. Pelo Decreto de 7 de Setembro de 1899, reorganizou-se o Exército, tendo sido criado o Estado-Maior General e o serviço de estado-maior. No Estado-Maior funcionavam as 2ª e 3ª Repartições, encarregadas de proceder à recolha de informações militares. A Lei de 19 de Setembro de 1902 veio decretar providências especiais, preventivas e repressivas, quanto aos crimes contra a segurança do Estado, atentatórios da ordem social estabelecida e de moeda falsa. Em 12 de Dezembro de 1907, Francisco Maria da Veiga renunciou ao cargo de juiz de instrução criminal, sendo substituído pelo bacharel Augusto Alves Ferreira. |
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