No 15º aniversário do Dia Europeu em Memória das Vítimas do Terrorismo, o Serviço de Informações de Segurança promoveu o Seminário “Terrorismo: Prevenção e Intervenção na Linha da Frente”. O primeiro painel foi dedicado aos programas de prevenção da radicalização violenta e do terrorismo e o segundo painel debruçou-se acerca das experiências dos técnicos de primeira linha durante e no seguimento de um ataque terrorista.

Discurso da Secretária-Geral do SIRP, Embaixadora Maria da Graça Mira Gomes

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Discurso do Diretor do SIS, Adélio Neiva da Cruz

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Síntese das intervenções dos oradores

Primeiro painel – Na Linha da Prevenção

Nick Taylor (Reino Unido)

Tim Parry Jonathan Ball Peace Foundation

A apresentação do orador versou acerca da campanha “My Former Life” desenvolvida pela Tim Parry Jonathan Ball Peace Foundation, uma organização não-governamental que se dedica à prevenção e à resolução do conflito violento. A campanha “My Former Life” é divulgada durante um dia de workshop, no qual se explora as histórias de quatro ex-extremistas (separatista irlandês, islamista violento, islamista não violento e extrema-direita), com recurso a um filme, jogos e debates.

O público-alvo consiste em turmas de 20 jovens com idades entre os 14 e os 19 anos. O objetivo desta campanha prende-se com o aprofundamento do conhecimento relativo à radicalização, as suas causas, indícios e consequências, e assim contribuir para o aumento da resiliência nos jovens. O sucesso do workshop depende do nível de interação de cada participante. Dado o fenómeno crescente dos extremismos políticos de direita, Nick Taylor indica que esta iniciativa está atualmente a ser redireccionada neste sentido.

Dominique Bons (França)

Associação Syrien Ne Bouge Agissons

A Presidente da Associação Syrien Ne Bouge Agissons abordou o início do desenvolvimento do processo de radicalização violenta do seu filho, Nicolas, até ao momento em que morre numa operação suicida em nome da organização terrorista Estado Islâmico, em 2013. A oradora descreveu as várias fases deste processo: a busca espiritual do filho, na qual o mesmo estaria com uma vivência mais ajustada; a fase da manipulação da religião islâmica, tendo adoptado o dever da defesa bélica da comunidade muçulmana oprimida e aversão aos valores ocidentais, bem como a fase da doutrinação, na qual se dá o afastamento por parte do jovem do seu círculo social e familiar.

Destaca-se que Dominique Bons foi a primeira pessoa a sinalizar as alterações no comportamento do filho e a aventar a possibilidade do mesmo estar a desenvolver um processo de radicalização violenta. A Associação Syrien Ne Bouge Agissons foi fundada com o objetivo de prestar apoio a famílias afetadas pela afiliação de familiares a um movimento islamista e/ou terrorista e promover a reintegração dos indivíduos que sofreram um processo de radicalização violenta.

Christel Grimbergen (Holanda)

Serviço de Saúde Pública de Amesterdão

A apresentação da Dr. Christel Grimbergen, psiquiatra no Serviço de Saúde Pública de Amesterdão, versou acerca da “Abordagem de Amesterdão à Radicalização”, inspirada no combate da municipalidade à delinquência juvenil e ao consumo abusivo de substâncias. Esta abordagem dispõe de uma linha telefónica sobre a temática da radicalização, na qual também é possível serem referenciados indivíduos suspeitos de radicalização que serão acompanhados por um de dois comités: comité de crise e terrorismo (para situações de ameaça elevada) e comité da municipalidade, no qual é parte integrante o Serviço de Saúde Pública de Amesterdão. Estes indivíduos são avaliados quanto à sua auto-suficiência, nomeadamente: finanças; habitação; saúde mental; saúde física; consumo de substâncias; relações familiares; rede social; competências pessoais; atividades quotidianas; integração comunitária e historial criminal. A participação dos indivíduos é voluntária e sobretudo relacionada com a atribuição de alojamento. Ao contrário das problemáticas de delinquência juvenil e consumo abusivo de substâncias, a religião e os aspetos identitários são dos aspetos mais trabalhados nesta abordagem.

 

Segundo painel – Na Linha da Resposta

Tapio Huttunen e Joonas Tikka (Finlândia)

Departamento de Polícia do Sudoeste da Finlândia

O Departamento de Polícia do Sudoeste da Finlândia abordou o ataque de Turku em 18AGO17, tendo iniciado a sua apresentação com uma breve história de vida de Abderrahman Bouanane, indivíduo responsável pelo ataque terrorista. Bouanane, que se terá radicalizado num espaço de meses, atacou oito pessoas com recurso a uma arma branca no mercado de Turku. A polícia finlandesa demorou três minutos a responder ao ataque, tendo ferido o atacante neste período. Após o incidente, a polícia finlandesa necessitou de avaliar a situação ocorrida e preparar-se para a eventualidade de ataques subsequentes. A cooperação com o SUPO, o Serviço de Informações finlandês, permaneceu após o término do ataque e no decurso da investigação criminal. No que diz respeito a desafios, estes prendem-se com a quantidade de notícias adulteradas relativas ao ataque - nomeadamente notícias de incidentes de esfaqueamento relacionados -, o aumento de atividade nas redes sociais e as manifestações da extrema-direita e de extrema-esquerda no local do ataque. Quanto às lições aprendidas, os oradores mencionaram o controlo de fugas de informação e o melhoramento da cooperação entre autoridades.  

Jorge Morales Alvarez (Espanha)

Sistema de Emergência Médica da Catalunha

A apresentação do Dr. Jorge Alvarez incidiu sobre a ação de emergência médica após o ataque terrorista de Barcelona e Cambrils a 17AGO17, mais especificamente na zona das Ramblas. O Dr. Jorge Alvarez iniciou a sua apresentação referindo “A questão não era se seríamos atacados, mas quando”. As Ramblas dispõem mais de 50 câmaras em tempo real e as equipas de emergência médica receberam a informação do ataque diretamente através dos serviços policiais às 16H58 e às 17h20 já se tinha procedido à primeira evacuação. O Dr. Alvarez acrescentou que, o facto de Barcelona estar servida de seis hospitais próximos facilitou o auxílio médico. O maior número de mortos e de feridos graves deu-se nos últimos 40 a 60 metros do atropelamento, dada a estrutura física das Ramblas. As diferentes polícias ajudaram as equipas médicas a fazer a triagem das vítimas de ataque. De entre as lições aprendidas, salientam-se a comunicação entre as equipas, o registo dos pacientes, a segurança do local e o treino tático.

Olivier Driencourt (França)

Grupo de Negociações RAID – Polícia Francesa

O orador apresentou um vídeo sobre o ataque terrorista ao supermercado kosher, Hyper Cacher, a 09JAN15, por Amedy Coulibaly, no qual demonstrou as ações do RAID (Recherche, Assistance, Intervention, Dissuasion), unidade tática de elite da Polícia Nacional Francesa. Coulibaly fez 19 reféns num supermercado, tendo sido responsável pela morte de 4 pessoas. Inicialmente foi possível visualizar a chegada da equipa do RAID ao local, o planeamento da ação, o isolamento da área e a recolha de informação por parte de testemunhas – acerca das condições do espaço – e de familiares dos reféns, que mantiveram contacto com os mesmos por telefone. É igualmente referido que Coulibaly aceitou falar com os negociadores durante duas horas. O chefe adjunto do grupo de negociações, Olivier Driencourt, refere que os média terão prejudicado a ação policial, na medida em que falaram com o atacante no decurso da mesma. Como lições aprendidas, o orador salientou a importância da segurança do perímetro.