O Forte D. Carlos I, também conhecido como Forte da Ameixoeira, localizado na antiga freguesia da Ameixoeira, em Lisboa, hoje é a sede do SIRP, onde se encontram o SIS e o SIED.
Quando Portugal era Lisboa

A Guerra Civil e as diversas intervenções militares estrangeiras, incluindo as invasões francesas que assolaram Portugal no início do século XIX, levaram ao desenvolvimento da doutrina de que era impossível defender a totalidade do território nacional com os meios de que se podia dispor e, mais, sendo Lisboa, além da capital, o mais destacado centro populacional e económico do país, a invasão de Portugal seria quase inútil sem a tomada desta cidade. Assim, a melhor forma de defender Portugal seria defender Lisboa com todos os recursos disponíveis.

Campo Entrincheirado de Lisboa (CEL) é um conjunto de fortificações, algumas antigas e adaptadas e outras construídas de raiz, sobre as quais foram colocadas peças de artilharia e comunicações por telefone e telégrafo, bastante avançados na época. Constituía-se assim um sistema defensivo da capital portuguesa contra ataques terrestres e marítimos.

O núcleo do CEL formava um perímetro - que contornava os limites terrestres de Lisboa, numa linha que se estendia de Sacavém a Caxias - constituído pelas seguintes fortificações:

  • Forte do Monte Cintra, em Sacavém;
  • Forte de D. Carlos I, na Ameixoeira;
  • Forte do Marquês de Sá da Bandeira, em Monsanto;
  • Forte de D. Luís I, em Caxias.

Complementado por fortificações que protegiam a linha do Tejo, a saber:

  • Forte do Bom Sucesso;
  • Forte do Alto do Duque.

A frente marítima, a barra do Tejo, a margem sul e as aproximações a Lisboa eram protegidas por outras fortificações, onde se destacavam:

  • Forte de São Julião da Barra;
  • Forte de Almada.

Diversos outros fortes, redutos, postos, baterias e outras fortificações secundárias, complementavam o sistema de fortificações terrestres.

Em 1902 ficou concluída a estrada militar que ligava o forte de Caxias ao Forte de Sacavém, a Estrada Militar de circunvalação.

No mar, o CEL era complementado pelo couraçado de defesa de costaVasco da Gama, que funcionava como uma bateria flutuante contra ataques marítimos. A Armada Portuguesa contribuía ainda com o seu Serviço de Torpedos Fixos (minas marítimas), com os seus torpedeiros e, mais tarde, com submarinos.

A doutrina “Portugal era Lisboa e o resto paisagem” não resistiu às inovações da Primeira Guerra Mundial. O conceito de defesa em que assentava o CEL tornou-se obsoleto e, na sequência da reorganização do Exército Português levada a cabo em 1926, o CEL e a 1.ª Divisão Militar territorial foram fundidos, dando origem ao Governo Militar de Lisboa.

O Forte D. Carlos I

Erguido sobre uma colina em finais do século XIX, o Forte integrava o conjunto fortificações do CEL, que constituíam a linha de defesa da capital, de Sacavém a Caxias.

Em fins de 1888 estavam concluídos os trabalhos de escavação e remoção de terras e, em 28 de Dezembro de 1901, as obras de construção estavam concluídas. Os necessários trabalhos de iluminação entretanto, só foram terminados em 1906. O custo total da obra ascendeu a 259.635$00 reis.

O Forte recebeu o seu nome em homenagem ao soberano, Carlos I de Portugal (1889-1908).

No contexto da crise que conduziu à queda da Primeira República e à implantação do Estado Novo - época marcada por forte convulsão social e política -, o forte sofreu um assalto numa tentativa de golpe militar, a 11 de Agosto de 1924. A acção foi articulada por um comité integrado por João Lopes da Silva Martins Júnior, que desejava pôr no poder o Partido Radical tendo como chefe Gomes da Costa e, como futuro Ministro do Trabalho, José Carlos Rates, Secretário-geral do Partido Comunista Português.

Em 2 de Setembro de 1941 – em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945) - as dependências do forte foram destinadas a depósito de munições, passando a albergar 88 paióis.

No dia 28 de Setembro de 1943, pelas 6 horas da manhã, ocorreu a explosão de um dos paióis, provocando a morte de seis soldados e a destruição total da ala sul do Forte. As causas da explosão nunca foram definitivamente determinadas.

 

O forte manteve a função de paiol até 1989, ano em que, no decurso do segundo semestre, foram desactivados os paióis.

O Forte perde utilidade e é abandonado.

 

Em 2004 cogitou-se da instalação, no forte, dos vários serviços de inteligência República portuguesa e, posteriormente, apenas do Serviço de Informações de Segurança.

Por Auto de Entrega datado de 11 de agosto de 2006, foi afecto à Presidência do Conselho de Ministros, nele sendo sediado o Serviço de Informações de Segurança (SIS).

As obras de recuperação iniciam-se em 2006.

 

As obras ficam concluidas em finais de 2007 e o SIS e as estruturas comuns aos dois serviços mudam-se em Janeiro de 2008.

Em 2015, o SIED abandona o Forte do Alto do Duque, no Restelo, e muda-se para o FDC I

(agradecimentos: fortalezas.org; casacomum.org;momentosdehistoria.com)