Mensagem de final de ano do
Diretor do SIS

Passou mais um ano, claramente excecional para todos e, naturalmente, também para nós, face aos condicionalismos que nos exigiram adaptações de procedimentos nas relações de trabalho, sem alterar o ciclo da produção de informações.

Vivemos este novo período com a resiliência habitual, apegados ao rigor dos métodos e à qualidade dos resultados para responder cabalmente às exigências da Segurança Interna, reconfigurando e ampliando os focos de atenção.

Esta pandemia, que se globalizou, mereceu não só a nossa atenção operacional como a idealização e produção de novos tipos de resposta.

A crise pandémica exigiu que, desta vez, nos focássemos mais nas consequências, sem deixar de olhar para as causas. Repercussões que se irão prolongar no tempo, afetar a atividade humana, a economia e alterar o panorama securitário.

Na verdade, assistimos, hoje, ao regresso das tensões geopolíticas ao centro das relações internacionais, à concorrência entre Estados na valorização da defesa dos interesses nacionais, da proteção da integridade territorial e da manutenção da independência política e económica. Aparentemente, o nacionalismo está de volta, alargado, e a Guerra Fria parece ter regressado.

Parece emergir a divisão entre segurança interna e segurança externa que os conceitos de segurança coletiva, segurança humana ou segurança partilhada haviam esbatido na doutrina.

Hoje, não há duvidas de que teremos de acrescentar às clássicas ameaças, novos desafios e preocupações: a segurança sanitária, a segurança económica, as pandemias, as alterações climáticas e as suas implicações na economia, na demografia e nas migrações, as tecnologias disruptivas, os investimentos estrangeiros em setores estratégicos que ocultam as suas ligações a Estados, as vulnerabilidades e ameaças à sustentabilidade, a resiliência e a autonomia estratégica dos Estados provocadas pelas cadeias de fabrico e de abastecimento de bens com implicações diretas na soberania de cada Estado e o crescimento exponencial das organizações extremistas, que a pandemia acelerou.

Neste quadro, antevejo que o papel e função dos Serviços de Informações continuará a valorizar-se.

Votos de saúde e prosperidade para 2022!

Adélio Neiva da Cruz